sexta-feira, 31 de julho de 2009

HOMEM, BICHO ANTA

Ontem estava me lembrando de um fato, ou melhor, de uma conversa com um conhecido. O mesmo narrava um acontecimento (seria engraçado se não fosse triste) entre ele e sua excelentíssima mulher (adjetivo respeitável esse heim!), leiam.
O elemento havia sido incumbido de ir receber o dinheiro da Bolsa Família – aquele programa do governo que beneficia famílias carentes – enquanto a sua esposa iria à secretaria da assistência social, receber uma cesta básica que estava sendo distribuída.
Tarefa realizada, o elemento voltava para casa (ele tentou, mas não chegou), quando resolveu parar num bar. Deu um alô nos conhecidos, quando uma jovem ninfetinha (esse termo foi ele que usou tá) sentada numa mesa, esboçou um sorriso. Pronto, foi o suficiente para ele também sentar. E homem é bicho bobo, mulher não pode sorrir e eles logo pensam em sair xavecando, beijando, pegando e tudo mais que suas mentes pervertidas têm direito. Enquanto isso lá no “lar doce lar”, a dona Maria, já havia chegado e claro percebido a ausência do elemento e do dinheiro da Bolsa Família.
De volta ao bar, o elemento se sentou e começou a papear com a menina. E claro quis fazer uma média e pediu uma cerveja (adivinhem com qual dinheiro ele pagou?). Homem adora fazer isso, eles sempre acreditam que mulher que bebe, fica mais acessível (desculpem meninas).
Mas continuando, conversa vai, conversa vem, dinheiro sai, cerveja vem, o papo estava esquentado, quando de repente, quem chega? Ela mesma, a dona encrenca. Entra no bar bem tranqüila e pede educadamente para o elemento sair. Ele já bêbado, se recusa. Ela não pediu duas vezes (rege a lenda que a dona Maria dele é muito brava, tipo lutadora de luta livre), deu um cascudo ao pé do ouvido, que o elemento saiu tropeçando. Na seqüência, começou a xingar e como se não bastasse ainda, começou a jogar cadeiras. Ai foi um “Deus que nos acuda“. Não ficou ninguém no bar para contar a historia.
Desesperado, o elemento sumiu. A dona Maria voltou pra casa, achando que o traste também havia voltado. Mas ao chegar lá, nada dele. Depois de uma meia hora, o traste apareceu. E para a surpresa dele a polícia estava lá. Por quê? A dona Maria chamou-os e alegou que o traste havia batido nela. Ai complicou á vida do cidadão, já estava ruim e iria ficar pior. Mas esperto como todo bom brasileiro, ele (ainda meio bêbado), foi disfarçando, disfarçando e ligeiro como um gato, sumiu. Adentrou por uns becos e vielas e a policia nem viu.
Mas sabe o pior, ele (o traste) me contou essa historia na maior cara de pau e rindo, como se a “aventura” dele fosse à coisa mais normal do mundo. Por isso que eu falo meninas, cuidado ao escolherem a cara metade de vocês. Porque “os homens” são poucos, mas “os antas”, têm aos montes.

Um forte abraço a todos

quinta-feira, 30 de julho de 2009

TUBARÃO BRAZUCA

O mal do torcedor brasileiro é lembrar e torcer somente para o futebol. Até as emissoras e seus programas esportivos ocupam 95% de seu tempo com noticias sobre o futebol. Mas essa semana, o gramado vai ficar (e ficou) de lado, porque a arena de combate foi a piscina, mas precisamente em Roma onde o nosso grande CESAR CIELO conquistou a medalha de ouro e de quebra ainda estabeleceu um novo recorde mundial na prova dos 100m (e olha que a prova favorita do cara, é a prova dos 50 metros).
Neste fim de semana ele volta a piscina para a final dos 50m. É isso ai CIELO, o Brasil está com você.
Parabéns
Um forte abraço a todos

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Ô GRIPE DANADA!!!

Como de costume, na ultima semana de férias, sempre coloco o despertador para funcionar a fim de acordar mais cedo e aproveito para fazer aquelas tarefas que a gente sempre faz nas férias (no meu caso, sempre deixo pra ultima semana). Tudo isso para ir entrando no ritmo, ou seja, se preparar para o retorno as aulas.

Mas hoje, bem tranqüilo em minha humilde casinha, tomando o habitual café da tarde, o telefone toca. Era a minha diretora (termo estranho esse, “minha” diretora, até parece que ela me pertence), ligou para avisar que as aulas em Cachoeira Paulista estavam suspensas até 17 de agosto. Adivinhem o motivo, dou R$ 100 para quem adivinhar (deposito na conta). Sim caros leitores, ela mesma, a gripe do porco, do porco não tadinho, gripe H1N1.

Já sabia que algumas escolas dos grandes centros, já haviam adiado o retorno as aulas (as secretarias de educação do Rio não adiaram). Mas não sabia que a situação estava tão perto (deve ter mãe odiando isso). Aliás, mais tarde soube através do meu pai, que aqui em Cruzeiro as aulas também estavam suspensas.

É, essa gripe está, como dizem os adolescentes, “causando”. Causando pavor, medo, histeria, cancelamentos, atrasos e acima de tudo prejuízo.
Um forte abraço a todos

SENSACIONALISMO OU JORNALISMO ?

Todo bom telespectador sabe que cada emissora de TV tem, digamos o seu estilo, sua característica, sua linha de conduta. Por exemplo: tem aquelas que tem um estilo esportivo, outras são conhecidas pelos noticiários jornalísticos, tem as que seguem a linha educativa (que por sinal são pouquíssimas infelizmente) e tem aquelas que são marcadas pela apelação. O mesmo acontece com o seguimento do telejornalismo. Alguns são imparciais (neutros, não defendem nenhum dos lados), outros são informativos e tem os sensacionalistas (aqueles que exploram o fato até sair sangue).

A Rede Globo, por exemplo, sempre levantou a bandeira do jornalismo informativo. Criou-se uma imagem de imparcialidade, de ética jornalística. Mas neste final de semana que passou, ela fez o que sempre acusou as outras emissoras de fazerem: sensacionalismo. Sobre o que? Sobre o acidente com o piloto de Formula 1 Felipe Massa. Tá, eu sei que a informação precisa ser levada ao publico, a população deve saber (essa frase é a principal desculpa dos sensacionalistas), mas fazer do jeito que ela fez é tirar proveito da situação. Quem assistia ao treino viu, quem ligou a TV depois também viu porque foi noticiado nos demais telejornais, até aqui tudo bem. Mas ficar noticiando a cada meia hora a mesma noticia, de forma exaustiva, explicando o acidente, repetindo a cena e mostrando a (bendita) mola batendo no capacete do rapaz, colocando o Galvão (que sempre sabe de tudo) nos links, ah cansou a minha beleza. Sorte que a bela repórter Mariana Becker aparecia de vez em quando para salvar.

Espero que a emissora vá mais devagar a partir de agora, porque daqui a pouco, vão dizer que a culpa foi do Rubinho!!!
Um forte abraço a todos

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O QUE HOUVE ?

No começo, só o nome gripe suína (aliás, H1N1 seria o nome correto segundo os cientistas) já causava medo, mas passara aquela euforia da “novidade” e do risco de epidemia, o assunto foi ficando de lado. Mas bastou nossos “hermanos” argentinos serem atingidos em cheio pela nova gripe (me parece que faltou um pouco de esforço do governo de lá) e pronto, a bendita começou a se alastrar. Voltando a dar as caras por aqui, se destacando nos noticiários e lotando os hospitais.

No começo, na primeira onda da doença, o ministro da saúde e outras autoridades foram para TV, falaram para a população não se preocupar, pois o sistema de saúde possuía estrutura para combater a doença, os hospitais possuíam capacidade para tratar a todos os casos e os institutos de pesquisa davam conta de realizar todos os exames.

Com essa 2º segunda onda da doença – depois de um 1° período aparentemente tranqüilo a doença volta com mais força – os casos confirmados da doença tem aumentado assim como os óbitos. Mas sabem o que me incomoda nisso tudo, parece que o discurso dos responsáveis pelo sistema de saúde mudou, assim como os procedimentos: agora eles estão pedindo para as pessoas moderarem as idas aos hospitais e os institutos para onde os exames são mandados, não estão conseguindo agilizar os resultados. Outro ponto é sobre o diagnóstico, há muitas queixas sobre diagnósticos incorretos. Pessoas com os sintomas estão sendo tratadas como se tivessem outra enfermidade ou são mandadas de volta para casa (algumas falecendo em seguida) ou ficam indo e voltando dos hospitais, pois a doença não é diagnosticada.

Agora eu pergunto: o que houve com o antigo discurso, o sistema não dava conta, a estrutura não estava preparada?
É parece que não e no meio desse fogo cruzado, fica a população.
Um forte abraço a todos

domingo, 26 de julho de 2009

IR A MARTE OU IR A LUTA?

Quem assistiu ao telejornal essa semana (o que vocês não assistem ou lêem jornal?) com certeza ouviu e viu sobre a comemoração do 40° aniversário da chegada do homem a lua – e tem gente que ainda não acredita.

Estava terminando de arrumar a cozinha da noite (isso que dá ficar de férias), quando ouvi a reportagem. O telejornal mostrou o presidente norte americano Barack Obama (fala primo!) recebendo na casa branca, os três astronautas (esqueci o nome deles) da missão lunar de 1969. E foi toda aquela pompa, fruti-fruti, plumas e paetês – próprio deste tipo de evento. Entre abraços e sorrisos, um dos astronautas veteranos, segundo o apresentador da TV, fez um pedido. Na verdade lançou uma perola (pra mim foi) em forma de pedido: ele pediu ao presidente Obama, mais verba para o Projeto em Marte – para quem não sabe, os americanos querem explorar a superfície do planeta marte, a fim de averiguar se há a possibilidade de seres humanos morarem por lá.

Vocês sabem de quanto é a verba para esse projeto? É de 150 bilhões de dólares (é o 150 acompanhado de dez zeros), é muita grana meus queridos leitores. Com esse dinheiro é possível, só para se ter uma odeia: investir em políticas de erradicação da fome pelo planeta; reconstruir o Iraque; investir em projetos para frear o avanço da AIDS (detesto escrever o nome dessa doença em letra maiúscula) nos países africanos; quitar a divida externa dos países pobres; “turbinar” o sistema educacional desses mesmos países; retirar das ruas todas as crianças carentes de países atrasados economicamente; desenvolver medidas mais enérgicas e eficientes de conter e até mesmo extinguir as devastações em nossas florestas; enfim um bilhão de medidas e idéias (que não cabem neste humilde BLOG) para tornar esse nosso mundo, digamos, mais aconchegante.

Agora, esse astronauta aposentado (ainda bem que ele se aposentou viu!) faz um pedido desses. Os países saindo de uma terrível crise financeira, crianças passando fome mundo afora ou se prostituindo para arrumar dinheiro entre tantas outras misérias e esse “dinossauro da lua”, vem pedir mais dinheiro para habitar marte. Por que a NASA não manda ele pra lá somente com uma garrafinha (de 500 ml) de oxigênio nas costas para ele ver o que é bom. Ah, me faça o favor né senhor astronauta!!!
Um forte abraço a todos

sexta-feira, 24 de julho de 2009

CORRUPÇÃO INFANTIL (que tal um pastel tio?)

Basta ligar a TV ou ler os jornais para vermos ou lermos (ô palavrinha feia, lembra lesma) sobre casos de corrupção. É corrupção na política, é corrupção nas instituições privadas, é corrupção em todo lugar. É corrupção para todos os gostos e bolsos (essa foi boa heim!).

Assim como no mundo dos adultos, no universo infantil também tem seus “espertinhos”. Vocês se lembram da crônica sobre aquela festa de rua com os brinquedos (postagem de ontem, quinta feira), pois bem, a cada dez minutos aparecia uma criança com um argumento na ponta da língua para tentar brincar de graça (os brinquedos eram pagos, senão da onde sairia à grana para me pagar né!). Com aquele jogo de cintura que lido com os meus alunos diariamente, fui levando as crianças durante as noites.

Mas um desses argumentos me chamou atenção: um garoto de uns oito anos com carinha de anjo (e uma cicatriz no nariz), que já havia brincado antes, ficou ali perto conversando comigo. A certa altura do papo, apareceu uma mulher perguntando aonde se vendia tal alimento. O garoto tomou a frente e disse que em tal barraca havia tal alimento. A mulher se afastou e então ele disse que a barraca indicada era da tia dele. Brinquei dizendo se aquilo era propaganda da família, ele riu e começou a me olhar fixamente. Perguntei qual era o problema. Ele novamente insistiu na tentativa de brincar sem pagar e novamente neguei. Foi ai então que ele lançou a perola: “tio, se você me deixar brincar, de dou um pastel”. Quando ouvi aquilo, comecei a rir. Não acredito, o garoto estava tentando me subornar e ainda por cima com um pastel (da tia dele é claro). Não agüentei e contra argumentei, indagando-o se poderiam ser 20 pasteis. Assim como qualquer individuo corrupto – do qual se exige mais dinheiro – ele não topou e foi embora.

Pensei: meu Deus, a corrupção já chegou ao universo infantil. Até eles tentam conseguir alguma coisa com favores ou presentinhos, que foi o caso do pastel. Mais o pior que me deu fome depois desse episodio, pena que o garoto já havia ido embora.
Um forte abraço a todos

quinta-feira, 23 de julho de 2009

TRABALHO + CRIANÇA = A DINHEIRO E DIVERSÃO

Julho, mês de férias e como de costume nos primeiros quinze dias, durmo até 12h ou 13h ou mesmo até ás 14h. A partir da segunda quinzena, começo a fazer aquelas tarefas que a gente sempre deixa para fazer nas férias – concertar, pintar, reformar, ajustar – e assim vai até o final das férias.

Mais em junho dias antes de começar o descanso, pensei comigo: “bem que nestas férias poderia aparecer um trabalho extra, algo divertido, que envolvesse publico (de preferência crianças) e ainda por cima que eu ganhasse um din din. Até mentalizei a seguinte operação:

TRABALHO + CRIANÇA = A DINHEIRO E DIVERSÃO

Pensei muito nesta hipótese. Mas como diria o mago Paulo Coelho: Quando você deseja algo, todo o universo conspira a seu favor (adoooooooooooooooro essa frase).

Enfim chegaram as férias: Net até madrugada, acordando tarde, namorando muito (eu mereço né) etc. Até que numa bela quinta feira (com ou sem o hífen?) o telefone toca, era aminha irmã perguntando se eu aceitaria uma proposta de trabalho. Fiquei meio assim, principalmente porque ela não soube explicar o que era. Até a que a minha hermana passou o telefone para a contratante, que explicou do que se tratava – era para trabalhar como monitor daqueles brinquedos de festa, tipo cama elástica, piscina de bolinha, tobogã inflável – aceitei na hora, nem perguntei quanto iria ganhar. Mais tarde, descobri que um dos donos do empreendimento, era conhecido lá de casa, foi aluno da minha mãe e também estudou comigo no ensino médio.

A festa era na rua, quatro dias de festejo. Muita gente, muita criança e muita mulher bonita (deixa a dona Maria ler isso!). Nestes quatro dias, fiquei na cama elástica (o brinquedinho chatinho de montar viu). Como era de se esperar, a maioria absoluta foi de pequenos. Eram tantos que me senti como se estivesse no trabalho da CEMEI, até decorei os nomes dos pequenos (alguns nomes eram feios pra caramba). Aliás, não havia como não decorar, pois eles vinham brincar a toda hora e as mães vinham juntas. Algumas, com olhares suspeitos, tipo meio carente sabe (lembrei das mães da creche). Claro que fiquei na minha – pois “os pais’ também estavam lá – e não dei bola, pois aquele bairro não é dos mais seguros para se transitar, principalmente quando você mora perto de bairros rivais.


Mas eram tantas crianças e foi um tal de tio daqui, tio de lá, tio por todos os lados. Pensei comigo, ainda bem que ninguém me chamou de pai por aqui, por que senão, não sairia inteiro do bairro.


Um forte abraço a todos

quarta-feira, 22 de julho de 2009

OPERAÇÃO VELHINHOS: CRÔNICAS DE UM ESTAGIÁRIO (FINAL)

Conheci dona Paulínia, muito prosa foi contando alguns causos. Junto com seu Cosme, lembraram do passado e do presente. Contaram também um pouquinho de fofoca (que na idade deles não faz mal a ninguém). Como era de se esperar o assunto família entrou em pauta. Dona Paulínia fez um comentário que me deixou triste, para ela “família” é para ficar longe, é até melhor assim, pois eles só aparecem para pedir dinheiro, e quando conseguem, tchau. Aquilo me incomodou, pois quando cheguei ao asilo me veio a idéia de família. Fiquei pensando naqueles senhores e senhoras que são deixados – alguns abandonados infelizmente – aqui pelos familiares. Muitos quase não recebem visitas dos entes queridos. Nestes dois dias, percebi que as visitas são mais de pessoas estranhas do que conhecidos dos internos é uma pena. Após nossa conversa, Dona Paulínia, passou mal e foi atendida por um dos voluntários do local.

Já passam das onze e os velhinhos são reunidos no refeitório para o almoço. Decido me oferecer para ajudar. Primeiro, levando alguns pratos até os quartos e a seguir ajudando no refeitório. Daniel, um voluntário (depois descobri que ele também é estagiário) pede minha ajuda com o seu José, um senhor de cadeira de rodas que não come bem sozinho. Por um breve momento engoli uma saliva seca com o pedido (não sei explicar o porquê). Recomposto, parti para tarefa solicitada. Com toda paciência, colher a colher, fui dando na boca do seu Zé (apelido carinhoso, não?), de sobremesa uma banana (demorei a entender o que ele queria). Nossa, senti uma sensação estranha durante a tarefa meio que emocionado (quase chorei) ao dar alimento na boca daquele senhor. Fiquei pensando naquela situação de ficar dependente de outras pessoas. Mas ao final, senti uma sensação muito gostosa.

Fim do almoço. Muitos vão para a sala assistir televisão, outros se recolhem aos seus quartos. Elias (quem me recepcionou hoje) pede para que eu o ajude a colocar seu José (o Zé) na cama. Topo de imediato. Muitos já estão dormindo. Com o ambiente tranqüilo, aproveito para continuar o meu tour. Ao final de um longo corredor, encontro Dona Zulmira, uma senhora muito simpática. Portadora de uma atrofia muscular, o que lhe falta em mobilidade, ela recompensa em prosa. Após um rápido comprimento, ela começou a me narrar, acredito eu, toda a vida dela. Desde sua terrinha natal Pindamonhangaba (ufa! acho esse nome comprido), passando pelo bairro do Brejetuba em Cruzeiro, até a chegada no asilo. Falou dos filhos, dos netos e do desejo de voltar a Pinda, aliás, este ultimo me pareceu uma meta a alcançar. A todo o momento ela dizia que iria voltar para sua terra. A cada dez palavras, onze eram sobre Pinda.

Conversa vai, conversa vem e quando percebi já era quase meio-dia, hora de partir. Fiz uma pequena romaria a fim de me despedir. Alguns velhinhos, já queriam saber quando eu voltaria – querem saber semana que vem vou começar a passar o dia inteiro aqui ao invés de somente metade do dia. Com uma enorme sensação de satisfação, fui embora terminar de aproveitar meu final de tarde e claro, namorar um pouquinho (afinal eu mereço).

Sobre aquela ansiedade no inicio, foi embora. A partir de agora, vou aproveitar ao máximo minha estada aqui, pois sinto que vou aprender muito com esses velhinhos, ops desculpem, essas eternas crianças.
Um forte abraço a todos

terça-feira, 21 de julho de 2009

OPERAÇÃO VELHINHOS: CRÔNICAS DE UM ESTAGIÁRIO (PARTE II)

Enfim chegou sábado, acordei cedo (como dói!!!) tomei meu café – sem dor de garganta e ainda ansioso – e fui para o asilo. Nossa que diferença de terça-feira. Menos movimentado logo fui recepcionado por um funcionário. Descobri que o pessoal da secretaria, não trabalha hoje, também descobri que ninguém havia deixado avisado que eu viria. Expliquei o motivo da minha visita, disse que faria um estágio lá, enfim, expliquei o necessário. A enfermeira de plantão, falou rapidamente da rotina de sábado e logo me deixou a vontade, pois ainda havia muitos velhinhos a serem banhados e trocados.

Uma velhinha simpática (nossa esqueci o nome dela!) ofereceu-se para ser minha guia, fiz de conta que não conhecia o lugar. Ela fez questão de me apresentar os outros velhinhos. O itinerário parou num jardim, aonde uma senhora lavava suas roupas e um senhor de cadeira de rodas trabalhava com artesanato. Fui em direção ao artesão que atendia pelo nome de João. Ele produzia algumas peças artesanais de madeira, no momento ele construirá uma cadeirinha de balanço. Tentei emplacar uma conversa amistosa, mas ele se limitou a responder minhas perguntas com respostas secas. Um pouco frustrado, dei um tempo na conversa e passei a observar o trabalho daquele senhor. Logo a coisa se inverteu, seu João me mostrou outras de suas pequenas obras de arte e puxou conversa, me perguntou onde morava, quem eram meus pais entre outras perguntas básicas. Queixou-se de sua serra improvisada, pois a mesma deixava a produção lenta. Comentou que se tivesse uma serra tico-tico a coisa deslanchava e me perguntou aonde se comprava este tipo de ferramenta (confesso que fiquei com vontade de comprar uma para ele). Quando acabou o assunto, senti que era hora de mudar de ambiente, me despedi e continuei minha visita exploratória.

Na sala algumas crianças (ops, esqueci de novo), alguns velhinhos assistiam a TV. Deus me perdoe, mas fiquei com a maior inveja deles, vocês precisavam ver o tamanho daquele aparelho, parecia uma mini tela de cinema. Logo imaginei aquilo no meu quarto, o problema era colocar lá, afinal meu dormitório de tão pequeno, mais parece um quartinho de empregada.

Dirigi-me então a sacada que dá de frente para a rua, uma delícia. Descoberta, muito bem arejada e ótima para pegar um sol. Lá encontrei seu Cosme (sem o Damião, piada sem graça, né?), um senhor negro que lembrava muito meu falecido avô, mas comparações a parte, fui logo perguntando o que ele fazia ali, aliás, uma pergunta boba – pois o homem estava fazendo artesanato com jornal, corri o risco de levar uma resposta daquelas. Mas muito simpático Cosme explicou sua arte. Disse que aprendeu com uma senhora que foi visitar o asilo. Ela forneceu jornal e tinta acrílica, prometendo trazer mais material (o que nunca aconteceu). Ele fez uns enfeites para porta, tipo guirlanda de natal, ficou bem bacana. Durante o papo, outros simpáticos e calados velhinhos juntaram-se a nós na sacada...
...Continua amanha
Um forte abraço a todos

O 1° Buffet Infantil de Cruzeiro